O EFEITO CONTRASTANTE NO JULGAMENTO DA ATRATIVIDADE FACIAL.

Renato Belin Castellucci*, Gilberto Hoffmann Marcon*, Leonardo Moura Freitas*, Victor de Barros Malerba*, Felipe Sabino*, Lina Maria Perilla-Rodríguez**, Ana Irene Fonseca Mendes e Sérgio S. Fukusima (Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP)

O efeito contrastante no julgamento da atratividade facial pode ser entendido como uma alteração nos padrões de julgamento causada pela habituação prévia a faces de um determinado nível de atratividade. Entender melhor este efeito é importante, pois a literatura indica que as mulheres orientam sua preferência por determinados traços em seus possíveis parceiros a partir da avaliação que fazem do nível de atratividade das demais mulheres de seu meio. Este estudo teve como objetivo analisar o efeito contrastante no julgamento de atratividade facial feminina feito por mulheres previamente habituadas a fotos de faces femininas pouco atrativas e por mulheres previamente habituadas a fotos de faces femininas muito atrativas. O experimento contou com 48 voluntárias entre 18 e 28 anos distribuídas em três grupos de 16 elementos: o grupo 1 foi habituado a faces femininas mais atrativas que aquelas julgadas posteriormente; o grupo 2 foi habituado a faces menos atrativas que aquelas posteriormente julgadas; e o grupo 3 (Controle) não passou por nenhuma etapa de habituação antes do julgamento. Para tanto, os materiais utilizados foram um computador com o software Super Lab Pro 2.0 instalado para controlar a apresentação de 24 faces previamente julgadas quanto à atratividade facial e a Escala VAS pela qual a participante julgava quão atrativa eram as 10 faces apresentadas na etapa de julgamento. Na análise dos dados notou-se que houve uma diferença no julgamento entre os diferentes grupos. A diferença mais notável foi encontrada entre os julgamentos do grupo 2, que julgou que as faces possuíam, em média, um nível de atratividade de 4,2 e o grupo 3 que atribuiu as faces um nível de atratividade médio de 1,8. Esta diferença no julgamento dos dois grupos é estatisticamente significativa (p<0,05). A partir destes resultados pode-se inferir que o fenômeno do efeito contraste no julgamento de atratividade facial ocorreu, assim como apontado pela literatura. Ao comparar-se o grupo 3 com o grupo 1, previamente habituado a faces mais atrativas que as que foram julgadas, pode-se notar que este último julgou as faces como menos atrativas em relação ao julgamento do grupo 3, pois, atribuiu a estas um nível de atratividade médio de 1,4. Contudo, a diferença nos julgamentos destes grupos não é significativa (p>0,05). Portanto, pode-se supor que habituação prévia a faces com níveis menores de atratividade possui um impacto maior sobre o julgamento do que a habituação a faces com níveis de atratividade mais altos. Todavia, discute-se se as faces utilizadas na tarefa de habituação são suficientemente atrativas para que o fenômeno de efeito contraste fosse plenamente observado.

Palavras-chave: Percepção Facial. Atratividade Facial. Efeito Contrastante

Área: PERC

Este resumo é parte integrante do CD de Resumos de Comunicação Científica da XL Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia - ISSN 2176-5243