DIFERENÇAS DO DESEMPENHO NA IDENTIFICAÇÃO DE PALAVRAS NOS HEMICAMPOS VISUAIS DIREITO E ESQUERDO ENTRE CANHOTAS E DESTROS.

Gabriela Affonso*, Carolina Magro de Santana Braga*, Flávia Luvizotto Alcântara de Pádua*, Sarah Bicudo de Oliveira*, Tamires Zar*, Bruno Marinho de Sousa, Leonardo Gomes Bernardino e Sérgio S. Fukusima (Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP)

Assimetrias cerebrais apontam que o hemisfério esquerdo (HE) é dominante no controle da linguagem e o hemisfério direito (HD) nas atividades visuoespaciais. Os estudos que abrangem essa temática possuem grande variabilidade de tarefas, de participantes e na ênfase sobre dominância ocular ou manual, e por isso acabam às vezes contraditórios. A literatura aponta que as mulheres têm melhor desempenho nas atividades de linguagem, e os homens, nas espaciais. Além disso, observa-se que nas mulheres há uma maior simetria funcional quando comparadas aos homens. Esta forma de organização hemisférica aparece de maneira semelhante em canhotos e destros. Porém, os estudos são em sua maioria realizados com homens e raros são aqueles que focam a interação sexo/preferência manual, sobretudo com mulheres. Assim, este estudo teve por objetivo investigar se há diferença de desempenho hemisférico entre mulheres canhotas e destras numa tarefa de identificação de palavras, usando um grupo de homens destros como controle por serem apontados na literatura como mais lateralizados que mulheres. Participaram 5 voluntários adultos em cada grupo. Cada voluntário preencheu um inventário para medir o grau de destreza manual. Foram escolhidas 40 palavras, com sentido abstrato e concreto, de uma lista pré-estabelecida. Para a apresentação das palavras foram utilizados um computador e um apoiador de queixo. As palavras foram apresentadas por 150ms ora no campo visual direito – CVD, ora no esquerdo – CVE após fixação do olhar no centro da tela de um monitor. A tarefa era dizer qual palavra foi apresentada. Foram contabilizadas somente as respostas em que o participante expressou exatamente a palavra observada. Os resultados indicaram maiores médias de freqüências de identificações corretas no CVD/HE em todos os grupos: homem destro (CVD/HE: 16,2; CVE/HD: 9,6), mulher destra (CVD/HE: 17; CVE/HD: 11,6) e mulher canhota (CVD/HE: 17,4; CVE/HD: 15,8). As freqüências de acertos foram submetidas a uma ANOVA between-within [3 grupos x (2 hemicampos visuais)]; que indicou diferença significativa ao fator hemicampo visual [F(1,12)=18,912, p=0,001]. Análise adicional para comparar os hemicampos visuais em cada grupo, pelo teste t, indicou que as mulheres destras [t(4)=3,087, p=0,037] e homens destros [(t(4)=3,359, p=0,028] apresentaram diferenças significativas entre os hemicampos, porém, as canhotas não. Estes resultados sugerem que para identificar palavras existem diferenças entre os hemisférios cerebrais dos destros de ambos os sexos, com melhor desempenho para o HE; e que mulheres canhotas tendem a ser menos lateralizadas, com desempenhos quase similares entre os seus próprios hemisférios, porém, melhores que aqueles dos grupos de destros. Isto sugere uma maior comunicação inter-hemisférica nas mulheres canhotas.

Apoio: Capes

Palavras-chave: assimetria cerebral funcional, lateralidade, canhotas

Outro

PERC

Este resumo é parte integrante do CD de Resumos de Comunicação Científica da XL Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia - ISSN 2176-5243